Ele chega. Sem avisos, telegramas ou telefonemas.
Eu abro. Sim eu abro, eu sempre abro. Seria impossível não abrir. Ele que devastou minha vida, avassalou tudo, bagunçou meu quarto e foi entrando e se instalando. Como leão: grande, forte e pesado. Ele morou. E eu morei e fui morada. E quando vi, já estava um quarto. Um quarto meu. Nua. Completamente despida. Coberta apenas com capas invisíveis que tolamente achava que cobriam o sensível, duro e ríspido de mim. Quanta pretensão! Agora eu: despida e desmascarada. Vendo ele entrar. Mas ele invade. Ele dita o que fica e leva o que quer. Ele me beija e me bate na cara. Me diz coisas horríveis e depois me abraça, dá carinho e diz que tudo vai ficar bem. Ele sempre diz que tudo vai ficar bem. Pra eu ter calma. Calma! Exclamo irônica. Calma eu? Eu aberração, aos berros e prantos. Calma!!! Como? Como, como? Comer? Como. Como tudo. Como minhas unhas. Como doces. Como dedos. Como ele. Como eu. E supro. Sim, do verbo suprir. Me supro e estupro. Me estupro. Não. Não é isso. Eu não me sacio. Com ele eu nunca estou satisfeita. Transito entre uma menina ansiosa e uma mulher velha e rabugenta, que reclama de tudo. Ele faz parte do meu passado e futuro. Ele me come. Ele me consome. Sou um prato de massa ou carne que ele devora. E ele volta e pede mais. Minhas lágrimas. As vezes ofereço, mas ele não aceita. Diz que é melhor assim. Melhor assim é o caralho! Eu queria berrar. E eu berro! Se ele ouvisse, se ele me ouvisse.... Mas não ouve. Tapa os ouvidos e sai andando ou correndo sem nada, totalmente nu. Corre pela vida de encontro a vida de outro, ou outros, ou nenhum. E eu fico aqui. Jogada e apegada. Esperando que ele não volte. Sublimando a contradição de mim. Penso: que fique por lá. Que pare. Que morra! Que passe um caminhão por cima dele ou tropece em qualquer calçada. Mas isso é mentira. Mentira! Me minto constante-mente. Vícios de cancêriana. Vícios de menina mimada. Meus vícios que ator-mentam e mentem. E sonham. E durmo embebida de lágrimas não alcólicas que meus olhos não suportaram. Mas de manhã, quando acordo de um sonho para viver outro sonho, lá está ele: acordado e a minha espera. Colado comigo na minha cama. E novamente ele me beija e marca as 9:00 horas exatas.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
re volta
a palavra descança. ela e meu sono, que agora dorme, porque agora consegue, porque depois da tempestade ela vem, ela virá, e me cutuca (ou cutucará) e me fala (ou falará) que é hora. agora. levanta! ela pede. levanta! e minhas frases já quase mortas, depois de anos, meses, semanas, dias, horas, segundos ou tempo algum. porque o tempo é agora, ontem e amanhã. o tempo é. mas era das palavras e do corpo que eu dizia. na verdade era de mim. o tempo todo era comigo e só você via. você me via. ou eu me via em você. ou eu via você me vendo. ou você me via em eu me vendo. ai! já não sei mais. elas saem emboladas, misturadas. cheias de programa ações. que ser param elas. e não uni ficam. mas elas voam. voam. voam. voam. voam. voam. voam. dentro da minha caixola.
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Torce e retorce
e se eu quisesse com ele brincar?
será que ele deixaria estar?
ele não brinca mais
perdeu a imaginação de criança
envelheceu, viveu.
perdeu a esperança.
e eu...
esqueci. passou.
e agora de novo.
acabou?
- Poema criado a partir do poema criado por uva verde sem caroço.
será que ele deixaria estar?
ele não brinca mais
perdeu a imaginação de criança
envelheceu, viveu.
perdeu a esperança.
e eu...
esqueci. passou.
e agora de novo.
acabou?
- Poema criado a partir do poema criado por uva verde sem caroço.
domingo, 24 de abril de 2011
1,67 por 1/2 palmo
Tem restos que ficam.
Que nascem no campo do afeto
e sobram, farelo de pão,
restos de corpo.
O produto do dividendo com divisor
onde a ordem dos fatores não altera.
E ficam, ali.
Consumindo e apodrecendo,
feito leite, mistura, mingau (Ah!)
Geralmente sinto cheiro,
ou som.
Engraçado. Gargalhada contínua...
Não de desespero, esse já passou.
Avanço, parada, para a segunda ou terceira etapa.
O campo, era assim que eu dizia.
O campo, agora remanescente.
Só raizes, farelos.
Senso e sensação, ou
não senso e (in)sensível.
Fato é: sinto.
Sinto falta. Sinto muito.
Que nascem no campo do afeto
e sobram, farelo de pão,
restos de corpo.
O produto do dividendo com divisor
onde a ordem dos fatores não altera.
E ficam, ali.
Consumindo e apodrecendo,
feito leite, mistura, mingau (Ah!)
Geralmente sinto cheiro,
ou som.
Engraçado. Gargalhada contínua...
Não de desespero, esse já passou.
Avanço, parada, para a segunda ou terceira etapa.
O campo, era assim que eu dizia.
O campo, agora remanescente.
Só raizes, farelos.
Senso e sensação, ou
não senso e (in)sensível.
Fato é: sinto.
Sinto falta. Sinto muito.
domingo, 17 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Revista Piauí - Genial
-
Hebe Camargo anuncia: "sou bolchevique"
José Dirceu, o novo consultor artístico de Hebe, ao sair da clandestinidade: “A companheira organizará um concurso de tiro-ao-tucano”
HAVANA - A apresentadora Hebe Camargo anunciou mudanças radicais no seu programa. "Chamei o Zé Dirceu para ser meu consultor artístico”, anunciou ela numa entrevista coletiva na qual usava uniforme verde-oliva, coturno e boina. “Esse homem mudou a minha maneira de enxergar as desigualdades que assolam o mundo. Além de ser uma gracinha, é claro". E concluiu em tom profético: "Depois que rompi com Silvio Santos, me sinto preparada para romper com o capitalismo".
O próximo programa será transmitido ao vivo de Cuba. O tradicional sofá da apresentadora será aposentado e os convidados Oscar Niemeyer, Leonardo Boff e Wagner Tiso sentarão no chão. A cada 10 minutos, haverá um número baseado na leitura de O Capital. No final, Fidel Castro fará um discurso de dezesseis horas. "Já mandei confeccionar um vestidinho militar numa cooperativa de costureiras em São Bernardo", explicou a apresentadora.
Presente à coletiva, disfarçado de repórter da Hora do Povo, José Serra se levantou e foi embora quando a Internacional Comunista foi executada pelas Meninas Cantoras da Bulgária.
terça-feira, 22 de março de 2011
Desordem
O desconforto de um descontente,
desigual na sabedoria e sensação.
O quanto de tudo era desproposital?
Valeria lamuriar?
Grita o seu despertador.
7:00 hs am.
Mais uma lua se despede.
Despido e cego,
avassalado por seu desespero,
coloca o óculos e percebe.
Ainda está destripando e
embora o esforço desproporcional,
levanta destemido.
Desopilando, caminha lentamente
Destilando
Encharcando - se
Aquela tal - Nina Reis
desigual na sabedoria e sensação.
O quanto de tudo era desproposital?
Valeria lamuriar?
Grita o seu despertador.
7:00 hs am.
Mais uma lua se despede.
Despido e cego,
avassalado por seu desespero,
coloca o óculos e percebe.
Ainda está destripando e
embora o esforço desproporcional,
levanta destemido.
Desopilando, caminha lentamente
Destilando
Encharcando - se
Aquela tal - Nina Reis
segunda-feira, 21 de março de 2011
Paquetá ou tudo aquilo que eu queria te dizer
Ah, se eu aguento ouvir
Outro não, quem sabe um talvez
Ou um sim
Eu mereço enfim.
É que eu já sei de cor
Qual o quê dos quais
E poréns, dos afins, pense bem
Ou não pense assim
Eu zanguei numa cisma, eu sei
Tanta birra é pirraça e só
Que essa teima era eu não vi
E hesitei, fiz o pior
Do amor amuleto que eu fiz
Deixei por aí
Descuidei dele, quase larguei
Quis deixar cair
(tsc tsc)
Mas não deixei
Peguei no ar
E hoje eu sei
Sem você sou pá furada.
Ai! não me deixe aqui
O sereno dói
Eu sei, me perdi
Mas ei, só me acho em ti.
Que desfeita, intriga, uó!
Um capricho essa rixa; e mal
Do imbróglio que quiproquó
E disso, bem, fez-se esse nó.
E desse engodo eu vi luzir
De longe o teu farol
Minha ilha perdida é aí
O meu pôr do sol.
Los Hermanos
Outro não, quem sabe um talvez
Ou um sim
Eu mereço enfim.
É que eu já sei de cor
Qual o quê dos quais
E poréns, dos afins, pense bem
Ou não pense assim
Eu zanguei numa cisma, eu sei
Tanta birra é pirraça e só
Que essa teima era eu não vi
E hesitei, fiz o pior
Do amor amuleto que eu fiz
Deixei por aí
Descuidei dele, quase larguei
Quis deixar cair
(tsc tsc)
Mas não deixei
Peguei no ar
E hoje eu sei
Sem você sou pá furada.
Ai! não me deixe aqui
O sereno dói
Eu sei, me perdi
Mas ei, só me acho em ti.
Que desfeita, intriga, uó!
Um capricho essa rixa; e mal
Do imbróglio que quiproquó
E disso, bem, fez-se esse nó.
E desse engodo eu vi luzir
De longe o teu farol
Minha ilha perdida é aí
O meu pôr do sol.
Los Hermanos
quarta-feira, 16 de março de 2011
Nos tal gicando..
Eu Nostalgíco
Tu Nostalgícas
Ele Nostalgíca
Nós Nostalgícamos
Vós Nostalgicais
Eles Nostalgicam
Tu Nostalgícas
Ele Nostalgíca
Nós Nostalgícamos
Vós Nostalgicais
Eles Nostalgicam
terça-feira, 15 de março de 2011
e u v i v o c ê - pequena homenagem a o c ê
e u v i v o c ê
v i o u v i
v i u s i m a m a n i a
d e . . . s e r
l e r n ã o l e r
s e l e r
f a l a r s ó
r i r d e s i
d e b o c h o r a r
n e r v o s a r a m ã o
t a t e a r t e
s o m a l í n g u a
v ê v o c ê s ó r i r
s e i l á s e r l á
Aquela tal - Nina Reis
v i o u v i
v i u s i m a m a n i a
d e . . . s e r
l e r n ã o l e r
s e l e r
f a l a r s ó
r i r d e s i
d e b o c h o r a r
n e r v o s a r a m ã o
t a t e a r t e
s o m a l í n g u a
v ê v o c ê s ó r i r
s e i l á s e r l á
Aquela tal - Nina Reis
sexta-feira, 11 de março de 2011
tex-estar
testo meu texto.
texto da minha testa.
detesta o teste
que dela testa. delatesta?
delatar? delatei?
Aquela tal - Nina Reis
texto da minha testa.
detesta o teste
que dela testa. delatesta?
delatar? delatei?
Aquela tal - Nina Reis
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